Basebol e Softbol em Portugal: O "Limbo" de uma Federação que Existe no Papel, mas não para o Estado
ABRANTES – Seis anos após a sua constituição, a nova Federação Portuguesa de Basebol e Softbol (NIF 516127535) continua ausente das listas oficiais do IPDJ. Entre incidentes judiciais e um conflito de "unicidade" com o Softbol, a modalidade permanece sem utilidade pública e sem reconhecimento oficial.
A última atualização da página oficial das federações desportivas do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) confirmou o que muitos agentes da modalidade temiam: a Federação Portuguesa de Basebol e Softbol (FPBS), sediada em Abrantes e detentora do NIF 516127535, continua a não figurar na lista de entidades com Utilidade Pública Desportiva (UPD). Mais grave ainda, a associação nem sequer aparece na listagem de federações com processo de requerimento em curso.
O Fantasma do Passado e os Novos Incidentes
A história do basebol em Portugal tem sido uma "corrida de obstáculos" jurídicos. Após a queda da federação histórica de Coimbra (NIF 503871680) em 2013, devido a dívidas e insolvência, a nova estrutura de Abrantes surgiu em 2020 com a promessa de reerguer a modalidade.
Contudo, fontes próximas do processo indicam que o IPDJ mantém o "travão de mão" puxado. A existência de incidentes judiciais registados associados ao novo NIF (516127535) e a falta de prova de uma estrutura nacional robusta — que exige um número mínimo de clubes e atletas distribuídos por várias regiões do país — têm impedido o avanço do processo administrativo.
O Conflito de Unicidade: O "Nó Górdio" do Softbol
Um dos maiores entraves à oficialização da FPBS é de natureza legal. Segundo a lei portuguesa, o Estado só pode reconhecer uma federação por modalidade (o princípio da unicidade federativa).
Em 2022, o Governo atribuiu o estatuto de Utilidade Pública à Softbol Portugal (S.F.P.T. - Associação Promotora de Desporto). Este reconhecimento cria um conflito direto: a FPBS de Abrantes pretende representar as duas variantes (Basebol e Softbol), mas o Softbol já tem um interlocutor oficial reconhecido pelo Estado. Enquanto este impasse não for resolvido — seja por fusão ou por cedência de competências — o IPDJ está legalmente impedido de conceder a UPD à Federação de Abrantes.
1. O Conflito de "Unicidade" (O Principal Bloqueio)
O maior obstáculo jurídico não é apenas o passado da federação antiga, mas a existência da Softebol Portugal, Associação Promotora de Desporto (APD).
Pelo Despacho n.º 14730/2022, esta APD obteve o estatuto de Utilidade Pública.
A lei portuguesa (Regime Jurídico das Federações Desportivas) estabelece o princípio da unicidade: o Estado só reconhece uma federação por modalidade. Como o Softbol já tem uma entidade de utilidade pública reconhecida, o IPDJ não pode, legalmente, atribuir o mesmo estatuto à FPBS (NIF 516127535) enquanto esta se propuser representar as duas vertentes (Basebol e Softbol).
2. O Estado do Processo Judicial/Administrativo
Ausência de Registo: A FPBS continua a não constar na lista de "federações em processo de requerimento" porque o seu pedido foi provavelmente indeferido ou suspenso por não cumprir os requisitos de representatividade nacional (mínimo de clubes e praticantes em várias regiões) ou por causa dos incidentes judiciais (dívidas ou litígios) registados no histórico do NIF 516127535.
Consequência: Sem utilidade pública, a FPBS é legalmente equiparada a um "clube de amigos" ou associação privada. Não pode emitir licenças competitivas oficiais, nem certificar agentes de alto rendimento.
Uma Modalidade "Amadora" por Decreto
Na prática, esta ausência de estatuto condena o basebol português a um regime de quase clandestinidade competitiva:
Títulos Sem Validade: Os campeonatos organizados pela FPBS não conferem títulos oficiais de "Campeão Nacional" reconhecidos pelo Conselho Nacional do Desporto.
Sem Apoio Público: A entidade não pode celebrar contratos-programa nem receber financiamento estatal.
Desporto Escolar à Margem: O Desporto Escolar continua a gerir a modalidade de forma autónoma, sem protocolos de homologação com a federação de Abrantes.
O Futuro no Tribunal?
Até à data, não existem acórdãos do Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) que obriguem o IPDJ a integrar esta federação na lista oficial. O silêncio administrativo do instituto sugere que o processo poderá estar parado por falta de requisitos de idoneidade ou representatividade.
Para os clubes e atletas que investem na modalidade, o cenário em 2026 continua a ser de incerteza, restando saber se a estrutura de Abrantes conseguirá resolver os seus incidentes judiciais e unificar a modalidade antes que o basebol desapareça do radar das políticas públicas de desporto em Portugal.

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