quinta-feira, 23 de julho de 2026

Campeonato Basebol Madeira 2008

 jornal Correio da Venezuela (20 a 26 de Novembro de 2008):

Basebol ganha campo e é acolhido na Federação

Edmar Fernandes

Mais de cem pessoas apadrinham o nascimento da modalidade de basebol enquanto desporto federado. Urbelino Ferreira, vice-presidente da Associação de Desportos da Madeira — que é quem tutela a modalidade desde o início do ano corrente —, mostra-se satisfeito com este forte impulso, até porque também surgirá, por arrastamento, um novo campo com condições ajustadas para a prática do basebol.

"Estamos a tratar de tudo com a Câmara Municipal da Ribeira Brava", começou por elucidar. O Consulado da Venezuela na Região tem funcionado como 'coração' de uma modalidade que tem como principais interlocutores os luso-descendentes deste e de outros países com tradição no basebol, com particular empenho do cônsul venezuelano, Felix Correa, "ex-praticante", conforme notou Urbelino Ferreira.

"O Consulado tem vindo a ajudar suportando os equipamentos, tacos, bola, etc. Ajuda inserida, e bem, numa política social de apoio às comunidades", revelou. E já está prometida a remodelação do precário 'recinto' do Campanário. "O Ministério da Cooperação Externa da República Bolivariana já disse que o actual apoio é extensível ao campo", confidenciou.

Assim sendo, depois de Ismael Fernandes, edil da Ribeira Brava, apresentar em Assembleia Municipal a proposta de cedência dos terrenos, conforme apalavrado em reunião com a ADM e o Consulado da Venezuela, o processo de início de obras será "quase imediato, até porque já está tudo a ser tratado". Deste modo, Urbelino Ferreira estima que na época 2010 os atletas de basebol na Madeira possam dispor de um recinto em condições.

Até lá, e para que a Federação possa homologar o actual campo, são necessárias alterações urgentes que já estão devidamente delineadas. "Estamos a jogar num campo que não respeita as dimensões regulamentadas. Mas já recebemos a concordância da câmara para efectuar as modificações necessárias até ao início da próxima época", sublinhou. A próxima temporada deverá começar no mês de Março, prolongando-se até Outubro, e a Câmara já "disponibilizou os seus serviços de arquitectura" para viabilizar o projecto de alterações dentro do prazo estipulado para o início da primeira época oficial de basebol.

Quanto às inscrições dos atletas e clubes na Federação, está tudo planeado. "Já dispomos de toda a documentação. Aliás, no ano passado todos os atletas fizeram exames, seguros, enfim, faltou somente reunir alguns dados dos atletas para oficializar a modalidade", reparou.

CHEGAR ÀS ESCOLAS

São várias as metas que constam do 'caderno de encargos' da ADM para transformar o basebol num desporto de massas. Urbelino Ferreira e seus pares reconhecem que "a maior parte das pessoas nem conhece as regras" da modalidade, situação que pretende inverter a médio prazo.

"Queremos conversar com o IDRAM e com o Gabinete de Desporto Escolar para implementar a modalidade das escolas", focou. A partir de então, considera legítimo aspirar por novos "jogadores de basebol formados na terra".

Ainda assim, acredita que actualmente o manancial de potenciais basebolistas é animador, mesmo sem qualquer acção de formação efectuada. "Os milhares de luso-venezuelanos que hoje residem na Madeira conferem-nos muito optimismo no aumento dos praticantes", fundamentou.

Depois, como é lógico, espera que os "filhos dos actuais praticantes tomem o gosto pela modalidade", e assim sucessivamente.

Para além desta conjuntura, aponta uma outra que diz respeito a vários "focos de interesse pelo basebol" que estão espalhados pela ilha para fundamentar a sua esperança no rápido crescimento deste desporto.

"Temos conhecimento de que há interessados em se juntarem ao campeonato em Santa Cruz, Gaula, São Vicente e por aí fora", aludiu. Estão também a ser preparados vários cursos de formação.

"Numa primeira fase vamos promover cursos de árbitros e anotadores. Depois, numa fase seguinte, vamos efectuar cursos para treinadores e directores", concluiu Urbelino Ferreira.

VENEZUELA OFERECE OBRAS NO RECINTO DE CAMPANÁRIO, CÂMARA DA R. BRAVA CEDE OS TERRENOS

(Legenda da imagem: "O Consulado tem vindo a ajudar suportando os equipamentos, tacos, bola, etc.")

AD Campanário sagrou-se campeã

A temporada 2008 terminou recentemente, com a cerimónia de entrega de prémios a estar marcada para a noite de hoje (20 horas), no restaurante Tropical.

O I Campeonato de Basebol ADM Coca-Cola 2008 contou com a participação de cinco equipas, embora só quatro tenham terminado a época em função da desistência do conjunto Criollos da Calheta.

O 1.º lugar foi conquistado pela Associação Desportiva do Campanário, que bateu na final o Caciques do Funchal.

Na 3.ª posição, ficou o Funchal Basebol Clube, enquanto o 4.º posto pertenceu ao Bravos de Gaula. No 5.º e último lugar da tabela ficou a formação desistente, o Criollos da Calheta.

Recorde-se que esta é uma modalidade lançada no panorama desportivo regional há cinco anos.

Um grupo de amantes do basebol, emigrantes da Venezuela, começou por promover jogos-convívio, até que, no mesmo ano, em 2003, surgiu a Associação de Basebol e Sotbol da Madeira para tutelar a modalidade.

No entanto, numa tentativa de credibilização e evolução do basebol, representantes das colectividades participantes nas provas regionais decidiram delegar a organização das provas na ADM a partir deste ano.

Desde então, o primeiro passo foi federar todos os participantes no organismo que tutela a modalidade, situação que se concretizará a partir de 2009.

Depois de garantido o reconhecimento federativo, o horizonte das equipas pode finalmente contemplar outros voos.


reportagem do jornal Correio da Venezuela (edição de 17 a 23 de Janeiro de 2008):

Tacos, luvas e bolas... já só falta um terreno

Basebol madeirense já não é apenas um 'hobby'; há cada vez mais jogadores

Filipe Sousa DN Madeira

O basebol é um dos desportos predilectos dos venezuelanos, modalidade que tem vindo a crescer na Madeira e de forma sustentada, muito por força e vontade de filhos de ex-emigrantes madeirenses venezuelanos.

Neste momento contabilizam-se cinco equipas — Caciques Basebol Club; Campanários Basebol Club; Funchal Basebol Club; Bravos Latinos Basebol Club; e Lobos Basebol Club/Clube Desportivo do Curral das Freiras. Cada uma destas colectividades conta com pouco mais de vinte jogadores, o que significa dizer que a modalidade conta já na Região com mais de cem jogadores filiados.

As acções de sensibilização têm vindo a suceder-se e muito têm contribuído para o crescimento do basebol. No entanto, a última acção/promoção, intitulada 'Copa www.venezolanosenmadeira.com', evento que pretendia contribuir para a formação, desenvolvimento físico, intelectual e psíquico dos praticantes e espectadores, teve de ser adiada em virtude do mau tempo e do estado do campo de futebol da Adega, no Campanário, onde habitualmente se reúnem os amantes da modalidade.

Ora, as infra-estruturas são o grande óbice da evolução do basebol, que há muito reclama por um 'cantinho' próprio. Disso mesmo deu conta ao DIÁRIO Manuel Luz, presidente da Associação Cultural Recreativa de Basebol e Softbol da Madeira.

"O nosso grande problema é não termos um campo com as medidas regulamentares. Jogamos no Campanário, num campo de futebol de terra batida, que tentamos adaptar à realidade do basebol, com medidas mais ou menos certas. Se nós tivéssemos um campo onde pudéssemos mostrar a modalidade, tal daria outra projecção ao basebol", destacou Manuel Luz.

O presidente da Associação Cultural Recreativa de Basebol e Softbol da Madeira garante mesmo que a evolução da modalidade está seriamente ameaçada pela falta de uma infra-estrutura condigna. "Até ao nível da formação temos vindo a realizar um bom trabalho. Os responsáveis do Funchal Basebol Club estão a dar formação em escolas e a aceitação tem sido muito grande, quer de alunos quer de pais, simplesmente por ser um desporto diferente. Existe um interesse por parte da população, mas nós não podemos divulgar mais o basebol porque não temos um campo real".

O Nacional quer edificar um campo de basebol na sua Cidade Desportiva. Uma boa notícia para Manuel Luz. "Qualquer instituição que queira virar-se para o basebol será muito bem-vinda. A comunidade luso-venezuelana ronda, na Região, as 15 mil pessoas, portanto, existe uma base social para fazer crescer a modalidade, mas sem uma estrutura não vale a pena pensar em crescer", insistia.

SÓ PRECISAM DE UM TERRENO

Manuel Luz tem-se desdobrado em contactos, com o intuito de dotar o basebol das condições mínimas para a sua prática. Mas continua a faltar 'o' espaço físico. "O Consulado da Venezuela na Madeira ofereceu-se para contactar o Governo venezuelano no sentido de que seja esta entidade a financiar o estádio. O que apenas pedimos é um terreno. Obviamente que não queremos construir algo como o novo campo da Choupana ou os Barreiros, queremos apenas um campo que permita ter as medidas exactas e oficiais, para que possamos fazer evoluir a modalidade".

Manuel Luz garante que o basebol não atrai somente luso-venezuelanos, pois também é praticado por madeirenses. "Estão a começar a aderir. Pessoas que vão ver um jogo e que depois vestem uma luva e pegam num taco. Assim que as regras básicas são percebidas torna-se tudo mais fácil e ganha-se adeptos. Só falta mesmo o campo", voltou a insistir.

BOLAS A 3 A 6 EUROS

O basebol não é um desporto caro, embora o investimento inicial seja um pouco elevado. Uma bola pode custar entre 3 e 6 euros. O problema é que por jogo, por exemplo, na Liga Norte-americana, a mais famosa do Mundo, utiliza-se para cima de 150 bolas.

Quanto às luvas, podem custar entre 60 e 70 euros e os tacos de alumínio perto de 80 euros. A isto junte-se o fardamento oficial que ronda os 50 euros. Feitas as contas, para começar a praticar o basebol (sem a ajuda de terceiros) precisará de cerca de 200 euros. No entanto, poderá fazê-lo de forma gratuita experimentando, por exemplo, treinar juntamente com os jogadores de uma das cinco equipas filiadas na Madeira.

Como nota final, registe-se que na Liga Profissional Norte-americana jogam mais de cem jogadores venezuelanos. Os Red Sox, de Boston, onde existe uma grande comunidade de portugueses, são os actuais campeões da Liga, depois de terem batido na final os Colorado Rockies.

Sem comentários: