DIÁRIO DE NOTÍCIAS Terça-feira, 12 de Fevereiro de 2019 | 23
● NO RASTO DE...
Basebol e campo da Adega abandonados
O estado do campo continua deplorável, mas Ricardo Nascimento diz que a solução pode passar pela concessão.
Modalidade deixou de ser praticada em 2011. O presidente da edilidade ribeira-bravense acredita que este ano o espaço poderá ser requalificado. O autarca confirma o interesse de privados
VÍCTOR HUGO†
vhugo@dnoticias.pt
Há sensivelmente duas décadas que o campo municipal na Adega, no Campanário, é uma autêntica 'pedra no sapato' na política desportiva do município da Ribeira Brava. Os sucessivos executivos passam e não há forma de dinamizar o espaço completamente esquecido e sem manutenção. A altura das ervas daninhas não nega a evidência de um quadro de absoluto abandono. Um cenário que entristece quem já ali praticou desporto, embora não tendo sido futebol.
Nélson Sousa é um desses casos. Foi dirigente e jogador de basebol dos Caciques BC, não esconde o orgulho de ter sido bicampeão regional em 2008 e 2009. Diz ser com tristeza que olha para o campo e que nota a invasão das ervas. Uma dor de alma que não fosse a crise no sector da construção, no início de 2010, talvez não dita-se também o fim da modalidade em 2011. Desde então acabou o basebol na Região.
E, a partir dessa altura, deixou de existir a atenção que dispensavam ao equipamento desportivo: "Jogávamos todos os domingos e éramos nós que fazíamos a manutenção daquele 'Asfaltozinho', fazíamos as marcações com ajuda da Associação do Campanário, não havia ervas como agora existem", lembra esse tempo.
O ex-praticante recorda que o basebol ganhou fulgor no ponto de, em 2008, os clubes terem optado por trocar o campo pelo relvado sintético da Ribeira Brava. De resto, nesse ano, o próprio Consulado da Venezuela apadrinhou a iniciativa numa tentativa de expandir um desporto muito apreciado na Venezuela. Tudo parecia ganhar força, num panóplia que tudo seria igual. Puro ilusão. "Foi só um ano. As pessoas que viviam ali próximo começaram a se queixar do barulho... e, de repente, acabou. Regressamos ao Campanário, por pouco tempo, porque depois veio a crise e foi o suficiente para terminar com a prática do basebol, porque muitos jogadores eram pedreiros ou ajudantes de pedreiro, e por isso tiveram de emigrar", explica os motivos do desinteresse.
No entanto, com o regresso de muitos luso-venezuelanos novamente à Madeira admite que poderá ajudar a ressuscitar a modalidade. "Se houvesse um grupo alargado de jogadores, por que não; mas o estado do campo não oferece condições", meias palavras.
De facto este palco desportivo tem sido usado, de quando a vez, para que alguns automobilistas mais ferrenhos aproveitem para dar largas à perícia da condução com a realização de 'drift' ou outras manobras mais radicais.
PLANO DA AUTARQUIA
Confrontado com esta dura realidade, o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Brava, Ricardo Nascimento, desdramatiza o cenário onde as plantas invasoras tomaram conta dos quatro lados, referindo que "existe uma possibilidade de um privado vir a explorar o local. Já manifestou o interesse, mas antes pediu que fosse executada uma infraestrutura", começa por explicar.
O autarca eleito em Outubro por um Movimento popular não esconde as dificuldades que tem tido para gerir este dossier, uma herança daquelas que ninguém gosta de receber: "juntamente com o facto de nunca ter tido a utilidade para a qual foi construída. O edil lembra que o campo nasce porque "era preciso criar uma zona de aterro onde fosse possível depositar as terras das diversas empreitadas que foram sendo lançadas na zona alta da freguesia".
A verdade é que segundo Nascimento a autarquia ainda nada inventou para salvar se a titularidade das diversas parcelas da extrema de implantação do campo pertencem ao município, uma questão que pode ser ultrapassada através do direito de usucapião, uma faculdade que está prevista na lei e consiste no direito de posse sobre um bem imóvel ou imóvel em função da utilização desse bem durante um dado tempo como se ele fosse propriedade do utilizador.
Vista da entrada recente e estado da infra-estrutura
FOTOS DÁRIO DE DA SILVA/ASPRESS
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