reportagem "Enseñan béisbol en escuelas de Madeira" foi publicada no jornal Correio de Venezuela no final de 2019
Reativam a prática do beisebol na Madeira Os luso-venezuelanos treinam todos os domingos no polidesportivo de São Martinho com vista a uma melhor formação
DELIA MENESES
Para assistir aos treinos que acontecem todos os domingos no Polidesportivo de São Martinho, no Funchal, não precisa de saber jogar beisebol, mas sim de ter vontade de aprender. Foi o que demonstrou Gonçalo Nuno, ex-diretor do Centro das Comunidades Portuguesas, que participou na prática deste domingo, 12 de maio, e até se animou a rebater. Como já é habitual, a preparação esteve a cargo do treinador Carlos de Sousa.
O perfil dos participantes é heterogéneo. Crianças, jovens, adultos, com e sem experiência no beisebol, reúnem-se todos os domingos das 12h às 13h no campo de futebol sintético de São Martinho, localizado ao lado do cemitério.
"Todos os interessados em praticar beisebol na ilha podem aproximar-se e, quem não sabe, aprende rápido por aqui", comenta Pedro Rodolfo Freitas, fundador da Associação de Beisebol da Madeira, que deseja reativar a modalidade na ilha com o fôlego trazido pelos milhares de luso-venezuelanos que chegaram à Madeira nos últimos anos. Lança também um desafio às mulheres para que se animem a integrar uma equipa de softbol.
No passado dia 28 de abril, a Associação de Beisebol e Softbol da Madeira, cujo rosto visível é Freitas, renovou a sua direção. Acompanham-no neste desejo de massificar a modalidade... Na Madeira, jogar beisebol, mais do que um desporto, é uma oportunidade para "matar saudades" da sua terra natal, de reunir compatriotas e sentir esse ambiente venezuelano.
Freitas pede apoio às instituições para conseguir que o beisebol tenha um espaço oficial na Região Autónoma, um campo para treinar e organizar torneios. "Queremos trabalhar em duas vertentes: formar as equipas de adultos e participar na realização de aulas formativas para as crianças das escolas da ilha".
"Queremos que cada freguesia da Madeira tenha uma equipa de beisebol" Um grupo de portugueses e venezuelanos, com o apoio das autoridades de São Martinho, organiza-se para formar crianças e jovens nesta modalidade
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José Fernandes nasceu na rua do Til, no Funchal, mas emigrou para a Venezuela quando tinha 11 anos. Aos 13 apaixonou-se pelo beisebol a tal ponto que não se importava de deixar de comer para jogar bola nas ruas de Macarao. "Nessa época, praticava-se em plena rua e a toda a hora", recorda Fernandes, que regressou à Madeira em 2018, tal como tantos outros emigrantes.
Esta "febre" pelo beisebol não diminuiu com os anos; as suas habilidades no desporto-rei venezuelano fizeram com que alguns o comparassem a Joe Ferguson, famoso por ter um dos braços de arremesso mais fortes entre os jardineiros das Grandes Ligas. Era uma paixão que quis transmitir ao seu filho, a quem levava religiosamente aos treinos.
Na Venezuela, Fernandes, que se dedicava ao comércio, também foi treinador. Quando regressou à sua terra natal, a ilha da Madeira, nunca pensou que esta modalidade se voltaria a cruzar no seu caminho. No entanto, em abril de 2019, a Venecom, as autoridades de São Martinho e a Associação de Beisebol da Madeira organizaram um jogo no campo do Exército (RG3), que reuniu cerca de 120 pessoas.
Foi um domingo familiar para "matar saudades" e começar a dar forma a um sonho partilhado por muitos dos presentes: ter um campo de beisebol na Madeira. Nesse dia, Fernandes surpreendeu-se ao perceber que a modalidade tinha entusiastas na ilha. Não demorou muito até formarem uma equipa: o Basebol Club São Martinho, que tem treinado todos os domingos no campo de futebol sintético em São Martinho, ao lado do cemitério.
Junto a Fernandes está Antonio Sanz, um venezuelano casado com uma madeirense que adotou a ilha como sua casa. É camionista de profissão, mas na sua terra, Los Valles del Tuy, participava ativamente nos torneios de beisebol organizados na zona. O desejo de ambos é que o seu desporto favorito ganhe adeptos e jogadores em Portugal.
Ensinam beisebol em escolas da Madeira A Associação Cultural e Recreativa de Beisebol e Softbol da Região promove a modalidade entre os jovens
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Desde abril de 2019, a Associação de Beisebol da Madeira decidiu retomar o desporto-rei da Venezuela na ilha onde atualmente vivem mais de 10 mil luso-venezuelanos. O trabalho tem sido desenvolvido em duas vertentes: a formação de equipas de adultos e a realização de aulas formativas para as crianças das escolas da ilha.
A instituição de ensino pioneira na prática desta disciplina é a Escola Secundária Jaime Moniz. Ali, o professor de Educação Física, João Inácio Abreu, pôs 2.900 alunos a jogar beisebol. "Nesta escola, a modalidade faz parte do programa académico e os estudantes gostam bastante porque a veem muito na televisão e nos filmes. A isto soma-se a presença dos venezuelanos que trazem a paixão por este desporto", explica Abreu.
Os treinos e a formação acontecem todas as quartas-feiras neste liceu. Abreu destaca que, para promover o beisebol, o mais importante é a formação, sendo necessário começar pelas bases. Por isso, a Associação de Beisebol da Madeira, através do treinador Carlos Sousa, de Abreu e de outros colaboradores, planeia oferecer aulas formativas noutros liceus e escolas da Madeira. Também trabalham na preparação de treinadores e árbitros.
Pedro Rodolfo Freitas, fundador da Associação de Beisebol da Madeira, convida todos os interessados em aprender e praticar beisebol na ilha a comparecerem todos os domingos, das 12h às 13h, aos treinos realizados no campo de futebol sintético em São Martinho. A associação trabalha na preparação de treinadores e árbitros na Madeira e, através do treinador Carlos Sousa, Abreu e outros colaboradores, planeiam oferecer aulas formativas na Achada de Gaula, município de Santa Cruz, entre as 13h e as 17h, onde decorrem jogos amigáveis, embora o objetivo posterior seja disputar um campeonato.

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